[ Reflexão ] Princesa sem Molde

setembro 02, 2016

Arte com Princesas Plus Size
  O texto de hoje foi de certa forma difícil e fácil de fazer, o por quê? Porque é difícil falar de mim e expor a minha vida de forma tão escancarada como vou fazer agora, mas a parte fácil é que de alguma forma espero que vocês se vejam em mim ao menos um pouquinho e achem uma forma de dar certo como eu fiz.
  Primeiro de tudo, com esse relato não quero de nenhuma forma a piedade, a credibilidade e muito menos conseguir fama com o que passei, entenda, não estou fazendo isso para me aparecer, acho até errado me expor desta maneira, não pretendo ganhar nada com isso e quem acha o contrário nem continue a ler para zombar ou esculhambar com a minha história de vida. Retire-se enquanto ainda é tempo.
   Era uma vez…
  Ninguém tem a vida perfeita, mas quando crianças acreditamos em contos de fadas e na magia que nos engana até quase a vida adulta, coitados de nós, caindo em palavras venenosas que só enganam os corações e mentes infantis e inocentes, pois é, belo jeito de começar a contar da vida, mas entenda ninguém vive em conto de fadas e a realidade é dura e fria, má e acima de tudo fere.
  Quando era pequena sempre fui uma garota mais cheinha, aos cinco anos os cachinhos eram brilhantes e os quilinhos a mais foram considerados fofos, mas com o passar dos anos a sociedade não considera mais eles belos, somos jogados em padrões que devemos cumprir, então com isso a vida passa a ser cruel. Não sei ao certo quando a coisa saiu do controle, a fofinha se tornou uma gorda que só era motivo de chacota, pra falar a verdade acredito agora pensando bem, que o fato de ter engordado mais foi depois da morte da minha avó aos nove anos e aquela perda me abalou de uma forma que até hoje faz falta, vocês nunca vão achar fotos minhas depois desta idade, só voltei às lentes quando tinha quatorze anos, mas vamos explicar direito o que aconteceu.
   O peso extra foi aumentando conforme os anos, lembro que com dez anos já usava dois a três números a mais do que deveria usar e pesar quase 80 quilos, “Meu Deus essa garota está tão gorda!”. Era o que escutava, ou bem, o que falavam pelas minhas costas, afinal na frente são apenas beijos, por trás são chibatadas. Sempre a palhaça da turma me tornei de uma brincadeira legal para uma cruel, quem nunca passou por bullying na vida? Aposto que sim, seja por ser alto, baixo, magro ou gordo, a ultima opção foi enquadrada a mim, baleia, orca, gorda e feia, sim, os “amiguinhos” que andavam comigo só me usavam para saco de pancada, neste caso para humilhação, a garota ingênua que sempre levava dinheiro pro lanche e convidava os outros até ficar sem nada, eu era o Caixa e por isso não me largavam, aturavam eu seguir como cachorrinho atrás deles, os populares, é quem não desejou fazer parte deles na época da escola? Eu fui uma tola assim, por anos engoli calada tudo que faziam, até em certo aniversário eles vierem e rirem na frente dos meus pais de mim, foi o estopim, já bastava de tudo que tinham feito, a trouxa cansou e então ai que mudei.
   Mudança de turma, turno e escola, longe de tudo e todos que me afetavam, com doze anos usava calças de numero 48, sim eu era gorda, com 1,62 esse peso me deixava redonda literalmente, percebi que a gula, aquela ansiedade me fazia comer descontroladamente e passei a controlar o que deveria comer. Não, não fui ao medico, não virei bulímica e nem fiquei anoréxica, não, apenas controlei, foi difícil? Claro que foi, pra quem estava acostumada a comer montanhas controlar tudo se tornou um desafio que eu decidi enfrentar para não sofrer mais, aquilo eu fiz por mim, entenda, mesmo os outros falando, eu fiz porque estava cansada de ver a imagem que tinha no espelho, o peso que a sociedade colocou para que eu seja magra e bonita, aquilo doeu mais do que o que os outros faziam, sabia que o peso extra não fazia bem a minha saúde, então era hora de mudar e mudei.
   Aos quatorze anos eu era mais magra, não aquelas de cintura fina e barriga tanquinho, mas sim um peso que condizia com a idade e o tamanho, você percebe que a partir desse momento todos começam a reparar em você, “Olha como esta bonita, como ficou magra, o que será que aconteceu?” Nessa época eu já tinha tacado o foda-se em tudo e todos, desculpe o palavreado às vezes não consigo controlar, quem disse que me importava com os outros? Nem ligava para o que falavam ou iriam falar, eu era dona de mim mesma, aquela época revoltada sabe, de aborescente como minha mãe dizia.
   Sim o texto esta enorme, mas já vai acabar.
  Quando tu pega corpo, os hormônios fazem você mudar, a primeira pessoa que repara é o homem, seios fartos e bumbum grande são a primeira coisa que eles vão ver, ao invés da tua inteligência ou da cor dos teus olhos, claro que aqui o Era Uma Vez já tinha ido pro ralo junto com os restos mortais do príncipe encantado, por isso as cantadas românticas eram apenas fachada para aquela foda que estavam loucos pra ter, nem vou pedir desculpas, pois sou muito contra essa palavra, a falo quando estou mesmo arrependida e aqui e agora não é o caso, já que vou contar de forma crua sem floreios, sim só me viam como sexo e até hoje acontece, bonita de corpo, deve ser fácil de cama, homens, sempre pensando com a cabeça de baixo, minha grosseria e o “foda-se” continuaram depois da fase “aborescente”, PERCEBE-SE, então não eu sabia do que eles queriam e eu não seria uma garota assim.
  Nos anos que se seguiram estudei pra caramba, curso é o que não falta no meu currículo, passei em diversas faculdades ganhando bolsas, mas por falta de recursos, lê-se medo dos pais me deixarem ir acabei ficando por aqui, até agora. Encontrei aqueles que me olhavam esnobes, ainda continuam com o nariz em pé, mesmo mal tendo onde cair mortos, mas sabia da surpresa ao ver a mulher que me tornei, não apenas no corpo, mas na alma, a Kammylla de antes não existia mais, era uma nova e bem preparada para os tapas da vida e a cada levantar era mais fácil de chegar lá.
 
 Mas qual o objetivo disso tudo? Por que contar a vida sendo que não era nem necessário. É que recentemente eu escutei novamente um “Você está gorda!” e aquilo bateu fundo, merda de sociedade te impondo padrões novamente, vamos botar fogo em cada um não é? Vim aqui para ressaltar algumas coisas com esse relato, o fato da sociedade te impor regras e padrões não vai fazer de você perfeita, eu nunca serei aquela modelo de pernas finas e longas, barriga lisa e cabelos brilhosos, NÃO, eu serie a mulher de 1,68 (ainda pequena) que levanta a cabeça pra olhar pra você, o nariz empinado e aqueles leves quilinhos a mais. Entendam eu estou gordinha por opção, não estou aqui pra satisfazer ninguém, muito menos quem não me conhece, sei que dei uma relaxada de uns tempos pra cá com o trabalho e faculdade, mas isso não me impede de me achar bonita com cinco quilos a mais do que é o meu padrão e desejo, estar assim não é motivo para doença, se eu tivesse realmente muito acima do peso poderia prejudicar minha saúde como antes aconteceu, mas essa gordurinha na cintura não me faz ser horrível, “Nossa ela está tão feia gorda!” é isso que vão falar, mas quer saber, FODAM-SE, eu não estou feia, eu sou bonita do jeito que sou e da forma que eu quiser, por isso todo o texto, quero mostrar que mesmo eu falando que não, que não foi pela sociedade que mudei, acabei me enquadrando nela para ser aceita.
  
  Pra você que está lendo reflita um pouco, não estou dando lição de moral e muito menos lição de vida, quem sou eu com apenas 21 anos pra falar isso? Estou mostrando que você é dona do que quiser e fizer, não siga o que eles impõe, Deus não fez ninguém perfeito, porque você teria que ser perfeito pra uma sociedade que nem ao menos se importa contigo? Se ame mais, se aceite mais, não siga uma coisa que é boa pros outros e que não faz bem pra você, não satisfaça aquele marido que deseja uma mulher perfeita toda vez que chegar à casa, precisa estar arrumada e não com o pijama esperando, se ele te amar será como você se ama, se não meu bem jogue fora e procure outro que te mereça, isso, é exatamente isso, se mereça, se ame, se respeite, se admire e acima de tudo se aceite como é, como se acha perfeita, moldes são feitos em fábricas, você não é um objeto, você é humana, com falhas, defeitos e acertos, acertos que decide e que escolhe, livre arbítrio tá ai pra quê? Se você não é capaz de fazer suas próprias escolhas a vida não será sua, será dos outros, não seja a sombra ou o reflexo de terceiros, seja a sua luz própria, o recalque das mal amadas, o desejo das invejosas e a alegria das que estão no mesmo nível que você, então aqui fica a minha dica.
  SE AME, SEJA QUEM SE ACEITE, QUEM AME O QUE VÊ NO ESPELHO, OLHE-SE TODO DIA E ADMIRE O QUE É, SEJA VISUALMENTE, PROFISSIONALMENTE OU MENTALMENTE, APENAS SE ADMIRE, AFINAL ISSO É VOCÊ, O QUE É HOJE, O QUE SONHA E REALIZA PRA AMANHÃ, UMA PESSOA QUE ESCOLHE O QUE QUER.
   Ficou muito autoajuda? Acho que não, bem se foi cansativo eu avisei ai em cima pra não continuar, se chegou até o fim parabéns gastou alguns minutos da sua vida comigo, se isso foi bom ou ruim pra ti é você que escolhe.
Arte com Princesas Plus Size (Créditos na Imagem)
   As fotos no decorrer do post são as minhas que eu publico em um álbum no meu Facebook chamado Transformações, agora depois de lerem já sabem o porquê deste nome, as fotos de biquíni foram às únicas que tirei depois de mais de 20 anos, nunca antes estive tão bem com o meu corpo para fazer isso, me expor desta forma, estava com 72 quilos, o meu peso ideal, que não vai me forçar nem irá extrapolar o que é necessário para o meu bem estar e saúde física e espiritual, agora estou com 76, quatro a mais do que estava antes nessa viagem ao Rio de Janeiro, estou correndo atrás para chegar de novo lá, mas e se não conseguir? Quer saber, eu estou me amando no espelho da mesma forma, então naquele peso ou nesse eu me aceitei, uma gordinha arrumadinha sem medo de viver.
Xoxo

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17 Comentários

  1. Oiii!
    Gostei bastante da sua reflexão. Realmente, não dê ouvidos ao que outros falam.
    Cada um tem uma vida, e cabe a você mesmo, decidir se quer mudar ou não.
    Esse negócio de está gorda e está magra é relativo. Vc é que tem que se sentir bem.
    Beijos

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  2. Hoje em dia a pessoa se julga e muito! Se está gorda, quer emagrecer e se está magra ou quer engordar ou quer ficar mais magra... Também julgam os outros sem motivo algum.
    Sua postagem está demais. Continue assim.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  3. Adoreiii seu texto! E parabéns por tocar nesse assunto, pois hj em dia a galera adora julgar mesmo! bjs

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  4. Oiii lindinha, como vai?
    Confesso que fiquei bastante surpresa em ver esse seu texto lindão aqui no blog, não esperava mesmo e foi uma grande surpresa para mim referente que de certa maneira tenhamos algo em comum na história que tu contou. Parabéns pelo texto e achei uma fofura essas imagens.
    Beijinhos

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  5. Olá!
    Não ficou nada "muito" auto ajuda rs
    Valeu pra gente refletir mesmo e fico super orgulhosa de saber que temos jovens como vc que corre atrás do que quer, mas não se deixa escravizar pela sociedade hipócrita.
    Amei o texto. Parabéns

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  6. Kaah sua linda, que texto incrível. Olha não posso dizer que sei pelo que você passou, porque não sei de fato, só sei de ouvir falar. Sempre tive um peso basico acho que desde a adolescência e é o mesmo até hoje, não sou gorda e nem sou magra, estou ali no limiar, acho que já ouvi exclamações de estar nos dois extremos, mas isso nunca influeciou em minha vida. Mas, tenho amigas próximas que passam e já passaram pelo que você dividiu conosco e sei o peso que isso teve na vida delas, na vida de vocês. Sinto muito que a nossa sociedade seja assim tão cruel com as pessoas. Fico feliz que hoje em dia você está bem e se aceita como você é. Você é linda, nunca deixe que te digam outra coisa.
    Parabéns pelo texto maravilhoso e pela coragem de publica-lo.
    Beijoos

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  7. Olá,
    Simplesmente adorei seu depoimento e te admiro pela coragem de se expor de tal forma. Muitas não teriam coragem de se abrir e jogar tudo na cara da sociedade.
    Concordo com você em tudo e fico extremamente feliz que você esteja bem consigo mesma! É isso que nos fazem pessoas melhores, nos amarmos como somos e também àqueles que estão ao nosso redor!

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  8. oi ^^
    mana adorei ler seu desabafo, tenho algo parecido na minha vida, mas o problema é q eu era mt magra e na minha família o pessoa não aceitava gordo. o que quer dizer q era uma puta cobrança em cima de mim pra continuar magra dentre outras coisas, o que eu acabei desenvolvendo anorexia.
    enfim, gostei do texto. todo dia é uma luta pra viver fora do padrão e gostar do que está vendo.
    Seguindo o Coelho Branco

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  9. Olá!
    Eu passei por algumas coisas como você. Sempre fui uma menina cheinha, desde pequena. Conforme fui crescendo fui ficando gorda de vez. E aos 18 eu vestia 48 (que você vestiu bem cedo). Quanto mais tarde mais foda pra emagrecer, né? Meu negócio é ansiedade + disfunção hormonal. Ouvi muita merda também, assim como você. Resolvi que ia emagrecer e perdi 17 kgs. Fiquei tão diferente do que era que as pessoas me perguntavam o tempo todo se eu tava doente. Engordei mais 7. Resumindo, vivo nessa de balança sobe e desce, e as pessoas sempre reclamam de algo. Ou tô muito gorda, ou tô magra demais... sociedade é escrota e fica querendo impor padrão. A gente tem que se amar como é! E você é linda, viu?!
    Eu adorei teu texto e concordo com tudo!
    Beijo grande!

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  10. Olá! Quando adolescente sofria esses padrões da sociedade, era magra demais e perna fina e sem bunda...me chamavam de tudo, o mais comum era macarrão.Mas, nunca liguei. Sempre me amei do jeito que era e minha autoestima sempre estava no alto, e as criaturas que ficavam fazendo isso ficavam loucos da vida por que não dava ibope. Depois que casei ganhei 13 quilos e fiquei no peso certo pra minha altura que é 1,65. A sociedade gosta de impor padrões para todos e isso machuca as pessoas, tem gente que fica realmente abalada e faz até besteiras por causa dissoo. Parabéns pelo seu texto, por sua autoestima e determinação. Beijos!

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  11. Olá, primeiramente queria dizer que adorei seu relado/historia, não posso dizer que passei por uma situação que nem a sua relacionada ao peso, mas como todos na sociedade somos "forçados" e "empurrados" para seguir alguns padrões que nem sempre são para nos manter bem e feliz com nós mesmo, que é o que realmente importa.

    http://meumundo-meuestilo.blogspot.com.br/

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  12. Seu texto disse uma verdade das grandes! Sério mesmo. Essa questão de cumprir padrões sociais é muito forte. No meu caso aconteceu o contrário. Sempre fui magra e sofri com pouco peso porque a sociedade exige que você tenha um corpo perfeito. Eu mesma chorei muito quanto criança e a medida que me tornei adulta mudei meu pensamento e hoje me aceito do jeito que eu sou. Acreito que não é fácil mas quando queremos e desejamos muito a gente consegue.

    Amanda Melo,
    Os nós da rede.

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  13. Olá,

    Gostei muito do seu texto, bem reflexivo e o importante é ser quem você é mesmo, sem ligar para os rótulos.

    Abraços
    Cá Entre Nós

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  14. Oie!
    Gostei bastante do seu texto.
    A reflexão é bacana e seria ótimo se as pessoas que são magras se mancassem do quanto são idiotas por encherem nosso saco.
    Mas o mais importante é a gente se amar e não ligar, ou tentar o menos possível, se importar com o que falam.

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  15. Olá querida
    eu achei um texto muito interessante e adorei as ilustrações da princesa, muito legal e inclusiva, muito bom mesmo trazer esse assunto por aqui

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  16. Olá,
    Gostei muito do seu texto. Da pra sentir o quão pessoal ele é para você.
    E lógico amei a mensagem que você passa, não é algo tão fácil de se pensar, mas claro sempre é bom termos uma boa auto estima.

    http://euinsisto.com.br

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  17. Olá, Kammy. Realmente a sociedade impõe as restrições não só a respeito de corpo e beleza, em tudo, até com sua opção sexual eles implicam. Eu sempre sigo falando que não me importo com o que os outros falam, o que eu faço, deixo de fazer, o que eu sou ou não sou, eles não tem nada haver com isso. Mas bem lá no fundo, a crítica sempre nos atinge.
    Fico feliz em sabe sua história de superação, seu texto ficou maravilhoso!

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